Temporário do amor
By: Caio César
O amor é algo tão lindo de viver... faz você flutuar e viajar em um mundo onde tudo é perfeito e possível. A esperança, a confiança, a lealdade, os sonhos, os sentimentos... todos são alimentados e cultivados pelo amor. Se fossemos o universo, o amor seria o sol, irradiando energia e luz para tudo que o rodeia.
Mas seria o amor algo realmente bom? O amor traz apenas boas coisas?
Quando sofres por alguém, tens por essa pessoa amor, logo o amor dá origem ao sofrimento. Quando te decepcionas é porque a esperança que tinhas era maior do que a realidade, portanto o amor da origem também à decepção. Se perdes alguém que amava, choras profundamente o vazio que foi deixado em seu coração, aí está o amor criando a solidão. Se sonhas alto demais, tendes a sofrer grandes desilusões, também causadas pelo amor.
Afinal, por que essa busca eterna pelo amor?
Assim que assinamos contrato com ele, creio que deixamos de ler as pequenas letras no rodapé e levamos o pacote completo, pois o amor também cega!
Esse contrato por tempo indeterminado é exageradamente difícil de cumprir. É confuso, pois quando pensas que na vida não há nada de errado, em poucos instantes os problemas começam a despencar de lugares inimagináveis, suplicando por soluções que só quem assinou pode resolver. É ingrato, pois cria situações completamente indesejadas, obrigando o assinante à ver-se por muitas vezes sem uma saída, cultivando o desespero. É, em algumas partes, intraduzível, instruções que ninguém poderá entender, nem o mais sábio dos poliglotas. E é quando estás atolado de confusões por conta deste contrato que surge a data de término (data essa que será sempre igual ao dia que a mesma surgir). O amor não lhe dá prazos, ele simplesmente vai embora e deixa apenas as dores de um final infeliz. Mas cicatrizes vão fechando, as lágrimas vão secando e o ser recupera-se de todo mal que lhe foi causado, e mesmo passando por tudo isso, ele diz que está pronto para um novo amor. Tolo!
O amor volta, enfeitiça, joga, blefa... ganha novamente. Mais um contrato assinado.
Por isso eu peço para quem estiver lendo, tirem a caneta de minhas mãos, eu não quero ser mais um temporário do amor.